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Texto da Semana: "Sempre acende mais" de Stéphanie Gomes

Gabrieli de Cinque19:42

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Lá estava eu, encostado na porta da sala, observando os gestos simples dela, o modo como colocava o cabelo atrás da orelha. O jeito como, ao mesmo tempo, mordia os lábios e dava um sorriso quando alguma cena do filme não havia sido engraçada, mas, como ela adorava aqueles atores e aquele filme, que já havia visto mais de 100 vezes, ela sorria como quem sorri pra não deixar alguém sem graça depois de uma péssima piada. O modo como repetia, junto com os personagens, as falas que já sabia de có. E, principalmente, como ficava vermelha quando percebia que eu estava olhando muito. “Está fazendo o que aí? Parado no meio da porta igual um idiota. Senta aqui, Gu” Disse ela, dando tapinhas no vazio ao seu lado no sofá. “Tô te olhando, observando o quanto você fica linda quando tá prestando atenção em alguma outra coisa que não seja eu” Falei com um sorriso irônico e malicioso, sei que ela fica irritada quando eu começo a me gabar. “Eu sou linda de qualquer jeito, por favor. E quando foi que eu prestei atenção em você? Me polpe do seu amor transbordante, Gustavo” Ela nem percebeu, mas aumentou o tom de voz no ‘me polpe do seu amor transbordante’. Fui me arrastando até o sofá e me agarrei em uma de suas pernas. “Aí, me ajuda…” Falei com voz de desespero. “Se tiver brincando, é melhor parar…” Falou sem olhar pra mim, com os olhos fixos naquele maldito filme, ela e aquele biquinho que dizia ‘não tô nem aí mas, no fundo tô quero saber o que é’. “É tanto (tosse) amor trans(tosse)bordando que acho eu tô me afogando…(tosse tosse tosse)” Fiz toda uma cena dramática… “Af, Gustavo, para de ser ridículo.” “Parei, chega de ser bobo, você é a madura da relação, então parei…” Tava decidido a parar mesmo, não aguentava mais tentar tirar a atenção dela daquele filme, e ela lá, imóvel. Fiquei sentado no chão, esperando o telefone tocar, alguém importuno bater à porta, qualquer coisa que me fizesse sair daquele silêncio. 5 minutos depois, que pra mim pareceram meses, sinto braços acariciando minhas costas, olhei pra trás e, com um sorrisinho que dizia ‘te ganho com isso que eu sei’, bem devagar, muito sensualmente… “Acabou o filme, sou sua, satisfeito agora? ”Mel, mel…” Tentei parecer sério, mas tava quase virando os olhos. “Hm…?” Bem no meu ouvindo, ela sabia que aquilo me deixava sem forças… “Você tá brincando com fogo, Melissa” Ela percebeu que eu tava falando sério. “Meu amor transbordante apaga ele”… ou acende mais.
Esse texto foi escrito por Stéphanie Gomes. Para ler mais visite o tumblr tentevoar.

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