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Aperte a tecla SAP (Clarissa Corrêa)

Gabrieli de Cinque18:41


(Para ler com o controle remoto na mão esquerda.)

    Eu sei que existe a Lógica e a Razão. Mas a minha seita é outra. Sou do Clube da Emoção. O mais correto seria dizer com todas as letras o que satisfaz e o que não agrada. O que ganha estrelinhas e o que deixa de castigo. Mas sou emoção pura. E sem gelo.

    Às vezes, não sei dizer como me sinto e espero que você descubra através da borra de café. Ou lendo a minha mão. Como sei que você não tem nenhum parentesco com a vidência ou Walter Mercado, recomendo pesquisar no Google. Dizem que lá tem tudo. Você sabe que estou brincando, ainda bem que a tecnologia não decifra sentimentos.

    Tem o que a gente pensa, tem o que a gente acha que deveria ter sido feito, tem a realidade. E tem todo um universo nesses espaços. Por favor, veja os meus sinais. Nem sempre a minha gargalhada é feliz, ela pode ser tristeza pura. Às vezes o meu riso é dolorido. O meu não-te-preocupa-que-eu-tô-legal vem com legenda me-abraça-e-não-solta-mais. Vezenquando os meus olhos permanecem serenos quando, na verdade, já fizeram as malas e estão loucos para passear em Tóquio. Não sou difícil, só tente me ler direito, com a alma aberta.

    Escondo palavras através do olhar. Não sou fácil, só tente não desistir. Entenda que eu gosto do exagero. Não quero razões lógicas, quero a emoção dando tapas na cara e puxões de cabelo. Eu vivo para isso, quero sentir tudo. Preciso que você saiba que às vezes falo uma coisa querendo dizer outra. Entendo pedidos de desculpas. E os aceito de peito aberto. Só queria que, ao menos uma vez, você saísse da linha e gritasse meu nome em algum microfone de supermercado. Que escrevesse com tinta rosa na minha calçada eu-te-amo-amor-meu. Depois de uma discussão boba e desculpas mornas, algum gesto inesperado: serenata desafinada, cartazes pelo corredor, flores do prédio ao lado, nossas roupas rasgadas e espalhadas pela sala.

    E agora você me pergunta com a cara mais incrédula do planeta se não seria mais simples falar de vez o que sente, em vez de ficar com desejos enlatados e engasgados. Entenda que o meu amor transborda. Justifico dizendo que sou mulher, isso explica tudo. A gente gosta da última cena do filme Pretty Woman: Richard Gere subindo as escadas com o apoio de um guarda-chuva. flores na mão. Um homem fantasiado de príncipe moderno, com direito a motorista. Descubro: toda mulher quer um dia assim para se sentir princesa. Pelo menos uma vez na vida.

Crônica retirada do livro "Um pouco além do resto". Clique aqui para conferir a resenha dele.

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