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Um rabisco sobre o que poderia ter sido

Rebecca Campelo15:37


Sobre decidir entre ir e vir é bem fácil, a complicação é voltar. Tenho certeza de que alguma vez na vida, enquanto ia fazer algo sem importância, você acabou se dando conta de que alguma coisa ficou pelo caminho; ou então, enquanto corria para pegar o ônibus para a faculdade, percebeu que havia uma moeda há uns dois passos atrás de você. Tudo bem, talvez voltar para buscar uma moeda não seja lá tão importante, principalmente se ela nem caiu do teu bolso, mas me dá uma agonia imensa pensar em que eu poderia pegá-la e guardar na carteira ou jogar na bolsa e perdê-la de vez.
Em alguns momentos eu acabei deixando moedas demais passarem despercebidas ou acabei perdendo todas as chaves que tinha, enquanto ia fazer algo sem importância; a do portão do prédio, da grade, da porta e até o chaveiro que foi presente de uma amiga que passou um tempinho no Canadá.

Eu deixei pra lá.
Você também.
Eu sei.

Se eu tivesse recolhido todas aquelas moedas poderia ter ido à duas ou três viagens a mais?
E as chaves que voaram de mim, será que alguém achou?

Sobre a agonia de deixar de pegar a moeda que achei no chão, pensar sobre como seria se eu tivesse escolhido outra opção é uma agonia um tanto maior.
Fui aprovada em 3 universidades e optei por uma perto de casa fazendo um curso que eu nem sabia para que servia, se eu tivesse esperado pelo remanejamento do tão sonhado jornalismo poderia eu ter hoje um estágio ou um artigo incrivelmente bom publicado por aí? Bem, não sei. E não saber, pensando muitíssimo bem, me incomoda.
Pense você, por um minuto, se escolhesse comer pão com presunto em vez de pão com queijo, o que teria sido diferente na tua vida? Ok, uma pergunta aparentemente estúpida, mas no fundo nem é.
Uma escolha leva à outra e no fim, é tudo um grande ciclo, uma cadeia, e eu só estou nessa linha exatamente nesse momento porque decidi escrever a primeira palavra, lá em cima. Não é estranho?
Pensar em como as coisas seriam se não fossem do jeito que são, é, no mínimo, intrigante. Se em uma tarde de verão, dias antes do carnaval, eu tivesse escolhido ler na calmaria do meu quarto, não teria conhecido quem eu chamo de grande amor da minha vida, se não tivesse criado coragem, vendido um computador e feito as malas às pressas não teria embarcado num dos sonhos mais loucos da minha vida e não teria visto de perto o show da melhor banda do universo (lê-se paramore). E se eu não tivesse sido a campeã da corrida dos embriões nem estaria à lhes escrever.

Ainda não inventaram um jeito de mudar o que aconteceu, foi dito, feito, pensado, vivido ou sentido. Mas aconselho a pensar em como seria se a tal da 'máquina do tempo' tivesse sido criada, só para tentar agir de uma maneira diferente nos próximos dias.

Afinal, reverter o que já foi não é possível, mas dá pra passar a catar as moedas daqui pra frente.

Ps: a crônica é de minha autoria e está concorrendo num concurso no blog depoisdosquinze. Torçam por mim. <3

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2 comentários

  1. Gostei bastante da sua rônica e as vezes até penso, "e se eu tivesse guardado aquelaa moedaa ao envés de ter gastado tudo em algo que eu realmente não precisava?". As vezes penso tanto em coisas que eu deveria ter feito que chego a ficar triste.

    Beijos

    http://maisque-estrelas.blogspot.com.br/

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  2. Obrigada, Diulie!
    A vida tem muito disso, de fazer pensarmos bastante depois de fazer algo, como se adiantasse, né. rs


    Obrigada por nos acompanhar, beijos.

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